ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS: SONHANDO ACORDADA

COMPORTAMENTO 12 junho

Acordei ansiosa, pois hoje era o dia em que combinamos de patinar juntos. O despertador mal tocou e eu já estava de pé. Olhei pela janela e o sol estava lindo, um dia perfeito como o sorriso dele. Suspirei e sorri pra mim mesma.
Me arrumei bem bonita, mas tomando o cuidado para que ele não percebesse que era pra ele, afinal, eu não passo maquiagem todos os dias...

Com o coração acelerado, parei em frente ao portão da casa dele, me ajeitei e procurei parecer o mais indiferente possível, mas não adiantou, pois quando ele apareceu suspirei sem querer e não conseguia conter o sorriso. Acho que ele percebeu minha cara de boba, pois sorriu de volta meio sem graça.

Que sorte eu tenho de ele gostar de patinar também. Além de ser mais uma coisa em comum, é maravilhoso saber que posso fazer as duas coisas que mais gosto nesse mundo: andar de patins e ficar perto desse menino lindo! Suspirei de novo ao pensar nisso.

Quando ele patina, o vento joga o cabelo dele para trás e ele fica ainda mais bonito. E essas... AI! Droga, que mico! Tropecei e levei um tombo feio. Quem mandou se distrair olhando pra essas pernas fortes? Ai, que dor. Ele vai pensar que sou uma tonta mesmo!

Ele foi me ajudar a levantar e quase caímos de novo, mas ele me segurou firme, sustentando todo o meu corpo junto ao dele. Ai... como eu sonhei estar nesses braços! E ele é tão cheiroso... meu rosto está tão perto do dele, acho que vou beij...

- Oi! Você deve ser a Cecília! Eu sou a mãe do Bruno, ele já vai descer pra patinar com você!

É... eu estava sonhando acordada de novo e a mãe dele me acordou. Ainda estou no portão esperando ele calçar os patins. Droga, podia ter sido verdade! Se fosse, eu teria beijado aqueles lábios. Queria ser tão corajosa quanto nos meus devaneios. Será que um dia ele vai me notar?

Tensão pré campeonato: uma noite de pesadelos

COMPORTAMENTO 07 maio


Era a noite anterior ao campeonato para o qual me preparei durante meses: acordei cedo para treinar, repeti aquela coreografia mil vezes, parei até de comer besteiras. Eu sabia tudo de cor, estava pronta. No entanto, se eu havia feito tudo certo, por que não estava confiante? Por que essa agonia prendia minha garganta e não me deixava dormir? Eu já havia me apresentado diversas vezes antes, mas nunca havia participado de um sul-americano, talvez por isso estivesse tão nervosa. Rolei na cama por horas até conseguir pegar no sono.

Durante o pouco tempo em que cochilei tive um pesadelo: eu estava no meio da apresentação e todos riam de mim, eu não entendia o que estava acontecendo, até que percebi que estava sem patins e tinha pés de pato, o que me fazia dançar de maneira muito esquisita. As pessoas começavam a levantar da arquibancada para ir embora. Olhei para os jurados e eles estavam apáticos, nem se mexiam, cheguei mais perto e notei que eles eram bonecos de madeira, sem mãos e sem boca, e nessa hora a música que tocava ficava macabra e tudo escurecia assustadoramente.

Acordei suando, com o coração acelerado e a boca seca. "Será que estou ficando louca?". Percebi que ainda estava escuro, olhei para o relógio ao lado da cama e vi que ainda eram duas da manhã. Eu precisava me acalmar, então resolvi beber um pouco de água. Andei devagar pelo corredor para não acordar ninguém e quando cheguei à cozinha percebi que estava tudo muito calmo (era boa a sensação de estar protegida em casa) e a luz azul da lua que entrava pela janela tornava o lugar ainda mais aconchegante. Enchi meu copo e bebi a água ali mesmo, com a porta da geladeira aberta.

Bati a porta da geladeira rápido demais, fazendo um barulhão, então congelei por uns minutos com a mão ainda no puxador para ouvir se havia acordado alguém da casa. "Ufa, tudo silêncio". Foi nessa hora, parada ali, que percebi que aquela foto antiga ainda estava presa na porta do congelador por um imã em forma de coração. Vovó sorria para a garotinha de 6 anos que patinava desajeitada. Eu estava sem dente na foto! Foi um dia muito legal aquele, meu primeiro campeonato!

De repente lembrei do que ela havia me dito antes que eu entrasse na quadra: "O prazer de fazer o que se ama é muito maior do que o resultado de qualquer campeonato. Então não só patine, divirta-se!". Fazia 4 anos que minha vozinha havia falecido. Sorri de saudade. Lembrar daquilo acabou com toda a minha ansiedade. Voltei para o quarto decidida a seguir o conselho dela e dormi que nem um bebê. No dia seguinte, fiquei em primeiro lugar no pódio.


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